Mai 13 2014

O Humano e o Sagrado na pintura de Domingos Rebêlo – Conferência no Instituto Cultural de Ponta Delgada

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Na próxima quarta-feira, dia 21 de Maio de 2014, ás 21H00, no Instituto Cultural de Ponta Delgada, irei fazer uma conferência com o tema: “O Humano e o Sagrado na pintura de Domingos Rebêlo”.

 

Cartaz - Cópia

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Mai 13 2014

A Cultura Açoriana na obra de Domingos Rebêlo – Conferência na Escola Secundária Domingos Rebelo

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Na próxima sexta-feira, dia 16 de Maio de 2014, ás 11H00, na Escola Secundária Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, irei fazer uma conferência subordinada ao tema .”A Cultura Açoriana na obra de Domingos Rebêlo”.

 

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Dez 03 2011

120º Aniversário do Pintor Domingos Rebêlo na Escola Secundária Domingos Rebêlo, em Ponta Delgada.

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Hoje é dia de festa. Comemora-se o 120º Aniversário do nascimento do Pintor Domingos Rebêlo.
Por isso, a Escola Secundária Domingos Rebêlo, que por feliz coincidência foi fundada também em 1891 (na época com o nome de “Velho Cabral”- o descobridor oficial da ilha de São Miguel), vai promover a partir do dia 5 de Dezembro, e até 9 de Dezembro, um conjunto de iniciativas comunitárias para lembrar a data de fundação da Escola, e do nascimento do seu patrono. Uma grande Exposição com cópias fotográficas de várias obras significativas da carreira do Pintor, e da sua vida, estarão em exibição para serem vistas por todos. Quem estiver em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, nos Açores, não pode perder esta ocasião. Eu estarei lá.
Parabéns, pois à Escola, e ao Pintor, que foi aluno, e mais tarde Professor e Director da mesma.

Domingos Rebêlo-120 anos.Programa da Escola

Quem quiser ver a reportagem e as fotos desta comemoração, pode dirigir-se ao site :  Escola Secundária Domingos Rebelo

 

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Out 20 2011

Biografia de Domingos Rebêlo (1891-1975): João Soares Cordeiro e a 1ª Exposição de Domingos Rebêlo

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Dos professores que Domingos Rebêlo conheceu no Colégio Fisher, aquele que teve maior influência sobre o seu futuro artístico foi João Soares Cordeiro. Que dava aulas de talha no Colégio Fisher e na Escola Velho Cabral.

 

Domingos Rebêlo (aos 8 anos), colega, e João Soares Cordeiro.Pormenor de foto de grupo. Colégio Fisher, Ponta Delgada,1900.(colecção particular)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vários anos depois de ter sido seu aluno, Domingos Rebêlo irá retratar , em 1912 (época em que estudava pintura em Paris), João Soares Cordeiro, na que é considerada uma das suas melhores pinturas.

 

Domingos Rebêlo. Retrato de João Soares Cordeiro (pormenor).Óleo sobre tela, 1912 (Museu Carlos Machado)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É da  autoria de João Soares Cordeiro a obra de talha realizada na sala de jantar do Palácio Jácome Correia (também chamado de Palácio de Santana), actual sede do Governo Regional dos Açores, em Ponta Delgada. Com madeiras exóticas trazidas do Brasil, João Soares Cordeiro concebeu e esculpiu, com uma equipa de artesãos, durante vinte anos, a impressionante decoração e mobiliário com motivos da natureza, a pedido do Marquês Jácome Correia.

 

João Soares Cordeiro.Sala de jantar do Palácio Jácome Correia.Ponta Delgada,1988.Foto José Alberto Silva

João Soares Cordeiro.Sala de jantar do Palácio Jácome Correia (pormenor).Ponta Delgada,1988.Foto José Alberto Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde cedo, João Soares Cordeiro observou o talento que Domingos Rebêlo demonstrava nos desenhos e pinturas que fazia no Colégio Fisher, e que o distinguia no meio dos seu colegas. A maioria das pinturas , a aguarela e a óleo, eram feitas a partir de gravuras a preto e branco que Rebêlo conseguia obter. Acompanhando com interesse a evolução do aluno, anos mais tarde, num livro por si escrito com o título de “Cavacos de Entalhador”, dirá de Domingos Rebêlo: “Domingos Maria Xavier Rebelo é o nome de uma criança que vem, há tempo, manifestando quanto é extraordinária a sua vocação para a sublime Arte do divino Rafael. Mexer em pincéis, contemplar quadros, e ouvir falar sobre pintura, foi sempre, desde a sua idade mais infantil, o seu maior prazer, o seu maior entusiasmo. Aos oitos anos, já pintava, e se nessa época ele ainda não sabia destacar as suas personagens além da superfície da tela, hoje (1905) não lhe sucede o mesmo, pois já lhes dá relevo, movimentado, e expressão. Tendo feito incontestáveis progressos, os seus últimos trabalhos assim o atestam.

 

Domingos Rebêlo. Raposa, óleo sobre tela. 1905 (colecção particular)

 

 

Domingos Rebêlo. Retrato de velha com capa, óleo sobre tela. 1906 (colecção particular)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vi dois pequenos quadros, pintados por ele, a partir de gravuras, que tem muito merecimento. É para admirar como o jovem pintor soube colorir o quadro, simplesmente por intuição, pois a gravura é despida de cores. E ele nunca teve quem lhe explicasse, como é que elas se empregam, nem tão pouco, como se misturam as tintas da paleta. Também, nunca estudou desenho de figura, apenas tem umas pequenas noções de desenho geométrico. E contudo, não copiou servilmente o desenho do grupo de crianças, que venho referindo, aproveitou apenas o assunto, modificando mais ou menos conforme lhe aprouve, e as diferentes posições dos petizes, particularmente onde enleia talento próprio. Não se explica doutra forma o fazer o que ele faz, sem ter conhecimentos artísticos, e contando apenas 13 anos de idade.”

Este texto fez parte da primeira apresentação pública sobre Domingos Rebêlo,  que João Soares Cordeiro publicou no jornal “Diário dos Açores”, no dia 1 de Setembro de 1905, para divulgar a exposição que organizou, nessa data, com pinturas a óleo do seu aluno. Escolheu um lugar central da cidade de Ponta Delgada, junto à Igreja Matriz, na Rua Nova da Matriz (actual Rua António José de Almeida), na loja de fazendas de Duarte Cardoso, apelidada de “Louvre Michaelense”. E aí, foram expostas nas vitrines as pinturas, uma série de pequenos quadros a óleo, na primeira Exposição de Domingos Rebêlo, aos 13 anos de idade, e sem qualquer formação artística.

 

“Louvre Michaelense”1. Ponta Delgada, 2009.Foto Jorge Rebêlo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Louvre Michaelense”2. Ponta Delgada, 2009. Foto Jorge Rebêlo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta exposição pretendia chamar a atenção sobre o potencial do jovem artista, tal como nos diz João Soares Cordeiro, no final do seu texto para o “Diário  dos Açores”: “É pena, que os pais de tão prestimosa criança, não possam fazer um sacríficio, para a educação que ele precisa, a educação que se administra nas Academias de Belas Artes. Bem sei que o curso completo de pintar é dispendioso, pois consta de oito anos de Escola, levando para lá exames de português e francês, e que os pais não são ricos. Mas é provável que apareça por aí, algum benemérito inteligente que os auxilie, aproveitando-se assim uma das mais belas organizações de artistas, que tem aparecido, na certeza de que presta um grande serviço, não sómente à criança, mas também a S. Miguel, terra de onde verdadeiros artistas não há número que chegue a meia-dúzia.”

Afortunadamente para o jovem Domingos Rebêlo, a iniciativa foi um sucesso, pois despertou a atenção dos Condes de Albuquerque, seus futuros mecenas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Out 06 2011

Biografia de Domingos Rebêlo (1891-1975): Formação escolar no Colégio Fisher

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Domingos Rebêlo ingressou no Instituto Fisher, pertencente à Congregação do Espírito Santo, onde realizou os seus estudos primários e os primeiros anos de Liceu. Este Instituto, também conhecido como Colégio Fisher, localizava-se no Solar Fisher (actual Solar de São Joaquim) .Parte do edifício, que não era habitado pelos proprietários, foi cedido pela família Fisher aos missionários franceses que vieram para Ponta Delgada dedicar-se ao ensino.

Domingos Rebêlo estudou aqui no Colégio Fisher (actual Solar de S.Joaquim), Ponta Delgada, 1979. Foto de João Correia Rebêlo.(colecção particular)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nesta instituição, que por vezes é erroneamente conhecida de padres jesuítas, pela semelhança na austeridade disciplinar e rigor do ensino, ingressavam os filhos das famílias mais abastadas de São Miguel. Os pais de Domingos Rebêlo, pessoas de escassos recursos económicos, conseguiram que ele lá estudasse, através de contactos com o meio católico de Ponta Delgada. Como por exemplo o Padre José Rebello Cordeiro, proprietário e director do jornal “San Miguel”, e amigo de José Eduardo Rebello, pai do pequeno Domingos. Devido ao ensino ser dado por padres, confiaram-lhes o filho para receber a educação formal e simultaneamente uma educação religiosa. Neste Instituto, Domingos Rebêlo faria com colegas amizades que durariam toda a vida, como António Gaspar Read Henriques, João Maria Berquó de Aguiar (irmão da sua futura primeira esposa), e sobretudo aquele com quem sentiu mais cumplicidade e de quem sofreu mais influências, o futuro poeta Armando Côrtes-Rodrigues.

Domingos Rebêlo e grupo de colegas e professores do Colégio Fisher. Ponta Delgada, 1900. (colecção particular)

A infância marca-nos para toda a vida, e a mentalidade de Domingos Rebêlo, a sua visão religiosa e moral, foi moldada rigidamente, pela experiência que passou com os professores deste Colégio.

Domingos Rebêlo sofreu as marcas deste ambiente quase monástico, onde o dogmatismo do Concílio de Trento, não permitia quaisquer tipos de dúvidas ou questionamentos. Este Colégio foi lhe benéfico, para receber uma educação formal – no ensino primário e nos primeiros anos do secundário –  mais rigorosa e de qualidade superior aos das outras escolas de Ponta Delgada, e para alargar o seu circulo social.

Uma prática interessante e pedagógica deste Colégio, que estimulava a solidariedade e o sentido de responsabilidade, consistia em os alunos mais velhos ensinarem o que tinham aprendido aos alunos mais novos, ajudando-os nos seus deveres escolares, e desenvolvendo assim laços de amizade e entre-ajuda. Gaspar Read Henriques escrevia em 1975 no jornal “Correio dos Açores”, quando soube da morte do seu antigo colega e amigo Domingos Rebêlo, o seguinte: “ Nas antigas escolas primárias os alunos mais velhos ensinavam os mais novos. Era assim no Colégio Fisher, onde Domingos Rebêlo recebeu a incumbência de me ensinar a ler”.

Domingos Rebêlo aos 14 anos (canto inferior direito), com colegas e professor do Colégio Fisher. Ponta Delgada, 1906.(colecção particular)

Domingos Rebêlo aos 14 anos-Colégio Fisher, Ponta Delgada 1906

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Domingos Rebêlo recebeu também valores católicos que estruturam a sua mentalidade e visão moral da vida. Infelizmente, a matriz católica que recebeu foi também extremamente dogmática e inflexível, e limitou para o resto da sua vida um espírito mais crítico para qualquer aspecto relacionado com a Instituição católica, a sua história e os seus membros. Impediu a sua capacidade de questionar essa mesma instituição e as suas práticas, levando-o a uma obediência cega, e a uma aceitação acrítica do pensamento católico, o que afectará também a sua arte. Pois a arte é também uma forma de questionamento de toda a sociedade, das mentalidades, e do rumo que a humanidade percorre.

Domingos Rebêlo (sentado num ramo,centro superior da foto), com alunos e professores do Colégio Fisher. João Soares Cordeiro (no extremo direito da foto). Ponta Delgada, 1ª década do séc. XX.(colecção particular)

No Instituto Fisher, Domingos Rebêlo continuará a fazer aquilo que mais o fascina, desenhar e também pintar. Para sua sorte, isto vai ser notado e apreciado, por um dos seus professores, que não é  padre. Trata-se de João Soares Cordeiro, Mestre de Talha  –  de quem fará anos mais tarde um magnífico retrato a óleo –   que ensinava na Escola Velho Cabral, e também no Instituto Fisher. O Professor Soares Cordeiro vai acompanhar o desenvolvimento e perceber o talento inato do pequeno Domingos, desde os oito anos de idade em diante. E vai ter uma ideia, que se revelará decisiva para o futuro como pintor de Domingos Rebêlo.

 

Domingos Rebêlo – Retrato de João Soares Cordeiro, óleo sobre tela,1912 (Museu Carlos Machado)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ago 20 2011

Obra de Domingos Rebêlo: Pescadores varando um barco

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Na praia dos Mosteiros, em 1924, o Pintor Domingos Rebêlo, inicia uma série de estudos sobre a vida do homem do mar, tão grande e tão simples. Ali observa os pescadores puxando barcos para terra, com a força dos braços, e rápidamente traça este desenho a carvão e aguarela, exprimindo todo o labor e rudeza da vida de pescador no meio da natureza marítima.

Domingos Rebêlo. Pescadores varando um barco. 1924.Carvão e aguarela sobre papel.(colecção particular)

Domingos Rebêlo.Pescadores varando um barco.Pormenor 1

Domingos Rebêlo. Pescadores varando um barco. Pormenor 2

Domingos Rebêlo. Pescadores varando um barco. Pormenor 3

 

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Ago 01 2011

Obra de Domingos Rebêlo: Descoberta da Ilha de São Miguel

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“Chegando aqui às ilhas os novos descobridores tomaram terra no lugar onde agora se chama a Povoação Velha pelo que fizeram depois (…)e, desembarcando entre duas frescas ribeiras de claras, doces e frias águas, (a Ribeira de Além e a Ribeira de Pelames) entre rochas e terras altas, (Morro de Santa Bárbara e Lomba dos Pós) todas cobertas de espesso arvoredo de cedros, louros, gingas e faias, e outras diversas”.

Gaspar Frutuoso, descoberta da ilha de São Miguel, no livro Saudades da Terra

Domingos Rebêlo.Descoberta da ilha de S.Miguel.Tempera sobre papel,década 1940.(colecção particular)

 

Na década de 1940, Domingos Rebêlo realizou este quadro, retratando a missa de Descoberta da ilha de São Miguel, na localidade chamada actualmente de Povoação . Esta pintura representa a fundação da maior ilha dos Açores, através da sacralização do espaço, que o ritual religioso confere àquele tempo primordial.  Reunindo marinheiros, religiosos e guerreiros num momento único e histórico, em que o homem se une à Natureza e passa a fazer parte dela, tornando este vínculo sagrado e indestrutivel, tambem simbólico pelo uso do padrão dos descobrimentos e da bandeira das quinas que um dos descobridores arvora. O pintor utiliza o artíficio da sua arte para se transportar no espaço e no tempo, e assim se associar e integrar à matriz da sua história, fazendo-se representar na figura do franciscano -pois S.Francisco de Assis foi a figura que lhe serviu de modelo toda a vida, e os franciscanos foram um grupo activo na construção de S. Miguel – que faz soar o pequeno sino, conferindo assim um som e uma presença àquele momento, e assumindo uma identificação total com o seu carácter místico.

 

Domingos Rebêlo.Descoberta S.Miguel.Pormenor 1

Domingos Rebêlo.Descoberta S.Miguel. Pormenor 2

Domingos Rebêlo.Descoberta S.Miguel. Pormenor 3

Domingos Rebêlo.Descoberta S.Miguel. Auto-retrato. Pormenor 4

Domingos Rebêlo. Descoberta S.Miguel. Estudo a lápis sobre papel. Década 1940

Domingos Rebêlo.Descoberta S.Miguel. Estudo a aguarela e tinta-da-china sobre papel.Década 1940

 

 

 

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Jun 01 2011

Biografia de Domingos Rebêlo (1891-1975): A Infância

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Quando a Família Rebêlo foi viver para a Rua da Arquinha, o pequeno Domingos, terceiro dos quatro filhos de José Eduardo e Georgiana Rebello (primos distantes), teve a oportunidade de aprender as primeiras letras com familiares que viviam na mesma rua,  as Senhoras Pereira. Ou seja  a sua Mãe, Georgiana Augusta Pereira Rebello, e a irmã de sua Mãe, a sua Tia Maria da Glória Pereira d´Azevedo, sua madrinha de baptismo (e  também madrinha dos seus três irmãos), de quem, anos mais tarde, viria a retratar numa pintura.

Domingos Rebêlo . Retrato de Maria da Glória Pereira d´Azevedo.Óleo sobre tela,1911(Museu Carlos Machado)

Domingos Rebêlo.Retrato de Georgiana Augusta Pereira Rebello,Mãe de Domingos Rebêlo-Estudo para o Tríptico "O Natal"-Óleo sobre platex, 1926.(colecção particular)

Nesta casa da Arquinha, edifício amplo e luminoso, possuindo um quintal profusamente arborizado, e que será morada de várias gerações, entre avós, filhos e netos, Domingos Rebêlo viverá cerca de 25 anos de forma intermitente, e aqui realizará muita da sua futura obra artística.

Domingos Rebêlo viveu nesta casa da Rua da Arquinha - Ponta Delgada, 2009.Foto Jorge Rebêlo

O Pai de Domingos Rebêlo, José Eduardo, trabalhava como sargento da Guarda Fiscal, na Alfândega de Ponta Delgada, situada junto ao cais da cidade. O pequeno Domingos ia, por vezes, acompanhar  ou levar recados ao Pai, e ficou desde cedo impressionado com o ambiente que se vivia nesta zona de Ponta Delgada. Os barcos que vão e vem, a azáfama das gentes, locais e estrangeiros, que chegam e que partem,  os cheiros, as cores e a diversidade dos produtos que são expostos. Ali se vive ainda do ciclo da laranja exportada para Inglaterra, e que tanta prosperidade trouxe a S. Miguel. Tudo isto preenche o seu imaginário, de um dos locais mais dinâmicos da sua cidade. Anos mais tarde, ali irá pintar a sua obra mais conhecida: Os Emigrantes.

Numa fotografia do cais de Ponta Delgada, de 1901, quando da visita a S. Miguel, do Rei D. Carlos, podemos observar os guardas da Alfândega, à esquerda, e o edíficio da Alfândega em primeiro plano, no lado direito da foto.

Pai de Domingos Rebêlo trabalhou aqui-Alfândega e Cais de Ponta Delgada em 1901

Os dias de Domingos Rebêlo correm tranquilos, entre recados à sua Mãe Georgiana, doméstica, e a grande força da casa, pois é ela o eixo da família Rebello.  A auxiliar o padre Rego nas missas da Ermida de Sant´Ana, e as brincadeiras com os irmãos mais velhos, Manuel, e  José, e com a sua irmã mais nova, Maria da Glória. E sobretudo a fazer aquilo que mais gosta, desenhar. Qualquer assunto lhe estimula a curiosidade, as pessoas, os animais, a vegetação,  tudo é motivo para preencher as folhas de papel que consegue arranjar. Desenha sem cessar. A Natureza é algo que o fascina, e que lhe chama a atenção, desde o quintal de sua casa, repleto de plantas e árvores diversas, que o seu Pai planta e cuida, até à deslumbrante paisagem de que a ilha de S. Miguel é fértil.

Quintal da casa onde viveu Domingos Rebêlo- Rua da Arquinha, Ponta Delgada, 2009.Foto Jorge Rebêlo

José Eduardo e Georgiana educam os filhos, desde pequenos, a valorizarem o ambiente familiar, e a terem devoção religiosa no catolicismo romano. E  percebem no Domingos uma vontade grande em aprender e um precoce interesse pela religião que o diferencia dos irmãos, e resolvem, por isso, apostar na sua formação. Através de  vários contactos sociais na Alfândega, e no meio católico, o Pai consegue que ele ingresse num colégio especial, reservado a uma elite açoriana, mas que por vezes acolhe crianças menos previlegiadas económicamente, o Colégio Fisher, dos padres missionários da Congregação do Espírito Santo, onde Domingos Rebêlo vai iniciar os seus estudos primários.

Domingos Rebêlo aos 8 anos, com uniforme do Colégio Fisher - Foto de 1900 (Colecção particular)

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Fev 21 2011

Obra de Domingos Rebêlo: Paisagem micaelense com vacas e fardos de palha

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Em 1932, o Pintor Domingos Rebêlo retratou os verdes da ilha de São Miguel, com os característicos fardos de palha e as omnipresentes vacas pastando no campo, sob um céu de chumbo, o famoso “capacete” açoriano, que pesa sobre todos os habitantes, num quadro pleno de atmosfera, rico em ambiente, e marca inconfundível da sua paleta.

 

Domingos Rebêlo.Paisagem micaelense com vacas e fardos de palha. Óleo sobre platex, de 1932 (colecção particular)

Domingos Rebêlo.Estudo para Paisagem micaelense. Óleo sobre platex, 1932 (colecção particular)

Domingos Rebêlo.Paisagem micaelense.Pormenor 1

Domingos Rebêlo.Paisagem micaelense.Pormenor 2

 

Domingos Rebêlo.Paisagem micaelense.Pormenor 3

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Jan 21 2011

Obra de Domingos Rebêlo: Pescadores de Rabo de Peixe

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No norte da ilha de S. Miguel, encontramos a povoação de Rabo de Peixe, onde em 1937 o pintor Domingos Rebêlo realizou este quadro, retratando estes três pescadores com a sua original lanterna. Com um recorte da costa norte micaelense de mar bravo, como pano de fundo, o artista capta a dureza de vida dos pescadores, de faces curtidas pela natureza. Com as suas ferramentas de trabalho, cesto de vime, rede, cajado, e uma curiosa lanterna artesanal, numa caixa simples de madeira com vidro, repleta de velas, com uns cones no topo para a saída do fumo das velas.

Pescadores de Rabo de Peixe, pertencem ao mar assim como o mar lhes pertence, e juntos formam um todo.

 

Domingos Rebêlo. Pescadores de Rabo de Peixe. Óleo sobre tela, de 1937.(colecção particular)

Domingos Rebêlo.Estudo para Pescadores de Rabo de Peixe.Óleo sobre platex,1937.(colecção particular)

Domingos Rebêlo.Pescadores de Rabo de Peixe.Pormenor 1

Domingos Rebêlo.Pescadores de Rabo de Peixe.Pormenor 2

Domingos Rebêlo.Pescadores de Rabo de Peixe.Pormenor 3

Domingos Rebêlo.Pescadores de Rabo de Peixe. Pormenor 4

O personagem mais velho que carrega a lanterna, será anos mais tarde utilizado novamente pelo artista, quando em 1940 , talhou uma pequena escultura em madeira, auxiliado pela sua esposa, Maria Josefina, que realizou as roupas.

Domingos Rebêlo.Pescador com lanterna.Escultura em madeira, de 1940 (Museu Carlos Machado)

 

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