Jun 01 2011

Biografia de Domingos Rebêlo (1891-1975): A Infância

Published by at 15:42 under Biografia

Quando a Família Rebêlo foi viver para a Rua da Arquinha, o pequeno Domingos, terceiro dos quatro filhos de José Eduardo e Georgiana Rebello (primos distantes), teve a oportunidade de aprender as primeiras letras com familiares que viviam na mesma rua,  as Senhoras Pereira. Ou seja  a sua Mãe, Georgiana Augusta Pereira Rebello, e a irmã de sua Mãe, a sua Tia Maria da Glória Pereira d´Azevedo, sua madrinha de baptismo (e  também madrinha dos seus três irmãos), de quem, anos mais tarde, viria a retratar numa pintura.

Domingos Rebêlo . Retrato de Maria da Glória Pereira d´Azevedo.Óleo sobre tela,1911(Museu Carlos Machado)

Domingos Rebêlo.Retrato de Georgiana Augusta Pereira Rebello,Mãe de Domingos Rebêlo-Estudo para o Tríptico "O Natal"-Óleo sobre platex, 1926.(colecção particular)

Nesta casa da Arquinha, edifício amplo e luminoso, possuindo um quintal profusamente arborizado, e que será morada de várias gerações, entre avós, filhos e netos, Domingos Rebêlo viverá cerca de 25 anos de forma intermitente, e aqui realizará muita da sua futura obra artística.

Domingos Rebêlo viveu nesta casa da Rua da Arquinha - Ponta Delgada, 2009.Foto Jorge Rebêlo

O Pai de Domingos Rebêlo, José Eduardo, trabalhava como sargento da Guarda Fiscal, na Alfândega de Ponta Delgada, situada junto ao cais da cidade. O pequeno Domingos ia, por vezes, acompanhar  ou levar recados ao Pai, e ficou desde cedo impressionado com o ambiente que se vivia nesta zona de Ponta Delgada. Os barcos que vão e vem, a azáfama das gentes, locais e estrangeiros, que chegam e que partem,  os cheiros, as cores e a diversidade dos produtos que são expostos. Ali se vive ainda do ciclo da laranja exportada para Inglaterra, e que tanta prosperidade trouxe a S. Miguel. Tudo isto preenche o seu imaginário, de um dos locais mais dinâmicos da sua cidade. Anos mais tarde, ali irá pintar a sua obra mais conhecida: Os Emigrantes.

Numa fotografia do cais de Ponta Delgada, de 1901, quando da visita a S. Miguel, do Rei D. Carlos, podemos observar os guardas da Alfândega, à esquerda, e o edíficio da Alfândega em primeiro plano, no lado direito da foto.

Pai de Domingos Rebêlo trabalhou aqui-Alfândega e Cais de Ponta Delgada em 1901

Os dias de Domingos Rebêlo correm tranquilos, entre recados à sua Mãe Georgiana, doméstica, e a grande força da casa, pois é ela o eixo da família Rebello.  A auxiliar o padre Rego nas missas da Ermida de Sant´Ana, e as brincadeiras com os irmãos mais velhos, Manuel, e  José, e com a sua irmã mais nova, Maria da Glória. E sobretudo a fazer aquilo que mais gosta, desenhar. Qualquer assunto lhe estimula a curiosidade, as pessoas, os animais, a vegetação,  tudo é motivo para preencher as folhas de papel que consegue arranjar. Desenha sem cessar. A Natureza é algo que o fascina, e que lhe chama a atenção, desde o quintal de sua casa, repleto de plantas e árvores diversas, que o seu Pai planta e cuida, até à deslumbrante paisagem de que a ilha de S. Miguel é fértil.

Quintal da casa onde viveu Domingos Rebêlo- Rua da Arquinha, Ponta Delgada, 2009.Foto Jorge Rebêlo

José Eduardo e Georgiana educam os filhos, desde pequenos, a valorizarem o ambiente familiar, e a terem devoção religiosa no catolicismo romano. E  percebem no Domingos uma vontade grande em aprender e um precoce interesse pela religião que o diferencia dos irmãos, e resolvem, por isso, apostar na sua formação. Através de  vários contactos sociais na Alfândega, e no meio católico, o Pai consegue que ele ingresse num colégio especial, reservado a uma elite açoriana, mas que por vezes acolhe crianças menos previlegiadas económicamente, o Colégio Fisher, dos padres missionários da Congregação do Espírito Santo, onde Domingos Rebêlo vai iniciar os seus estudos primários.

Domingos Rebêlo aos 8 anos, com uniforme do Colégio Fisher - Foto de 1900 (Colecção particular)

One response so far

One Response to “Biografia de Domingos Rebêlo (1891-1975): A Infância”

  1. Paula Romãoon 06 Set 2011 at 15:38

    Muito interessante a fotografia da Rua da Alfândega e do cais de Ponta Delgada, principalmente porque estamos a vê-la pintada nas duas versões d’ “Os Emigrantes” que ora se encontram na Terceira.

Trackback URI | Comments RSS

Leave a Reply