Jan 21 2011

Obra de Domingos Rebêlo: Pescadores de Rabo de Peixe

Published by under Obra

No norte da ilha de S. Miguel, encontramos a povoação de Rabo de Peixe, onde em 1937 o pintor Domingos Rebêlo realizou este quadro, retratando estes três pescadores com a sua original lanterna. Com um recorte da costa norte micaelense de mar bravo, como pano de fundo, o artista capta a dureza de vida dos pescadores, de faces curtidas pela natureza. Com as suas ferramentas de trabalho, cesto de vime, rede, cajado, e uma curiosa lanterna artesanal, numa caixa simples de madeira com vidro, repleta de velas, com uns cones no topo para a saída do fumo das velas.

Pescadores de Rabo de Peixe, pertencem ao mar assim como o mar lhes pertence, e juntos formam um todo.

 

Domingos Rebêlo. Pescadores de Rabo de Peixe. Óleo sobre tela, de 1937.(colecção particular)

Domingos Rebêlo.Estudo para Pescadores de Rabo de Peixe.Óleo sobre platex,1937.(colecção particular)

Domingos Rebêlo.Pescadores de Rabo de Peixe.Pormenor 1

Domingos Rebêlo.Pescadores de Rabo de Peixe.Pormenor 2

Domingos Rebêlo.Pescadores de Rabo de Peixe.Pormenor 3

Domingos Rebêlo.Pescadores de Rabo de Peixe. Pormenor 4

O personagem mais velho que carrega a lanterna, será anos mais tarde utilizado novamente pelo artista, quando em 1940 , talhou uma pequena escultura em madeira, auxiliado pela sua esposa, Maria Josefina, que realizou as roupas.

Domingos Rebêlo.Pescador com lanterna.Escultura em madeira, de 1940 (Museu Carlos Machado)

 

One response so far

Jan 11 2011

Biografia de Domingos Rebêlo (1891-1975): São Miguel de fim do Séc. XIX

Published by under Biografia

A cidade de Ponta Delgada, onde Domingos Rebêlo surge, na última década do século XIX, caracteriza-se por uma sociedade rural em transição para uma urbanidade incipiente, numa ilha de São Miguel remota, quase que perdida no meio do oceano Atlântico, onde as novidades de Lisboa, metrópole distante, demoram a chegar, nos navios que, com frequência mensal, tem que atravessar meio oceano para alcançar o arquipélago dos Açores.

 

Arquipélago dos Açores

Nada faz adivinhar, nos passos ainda trémulos do pequeno Domingos, que os seus horizontes se vão mais tarde alargar para além do limite que o mar impõe. Pela cidade cruzam as ruas pessoas a pé, raras delas a cavalo, alguns transportados em cima de burro. Possuímos uma visão de como era a cidade de Ponta Delgada, e a ilha de S. Miguel, pela perspectiva de estrangeiros que ali chegavam. Marinheiros, turistas, botânicos, geólogos,vindos da Europa ou dos Estados Unidos da América. No interessante livro de João Cabral Leite, «Estrangeiros nos Açores do séc. XIX Antologia», este diz-nos: “ Atraídos por um clima ameno, por uma paisagem fascinante com os seus vales e montanhas de vegetação luxuriante, por um modo de vida pacato convidando a um delicioso e completo repouso, muitos destes viajantes encontraram nos Açores o refúgio ideal contra os «perigos da civilização». Outros, entre os quais podemos contar cientistas de renome, atraídos por uma fauna e flora praticamente desconhecidas, uma constituição geológica peculiar, fenómenos vulcânicos aguardando o interesse da ciência, fizeram dos Açores um ponto de paragem para os seus estudos, investigações e pesquisas, na tentativa de fornecerem novas descobertas ao mundo da ciência”.

 

Mapa da ilha de São Miguel - 1845

O norte-americano Lyman Weeks, em 1882, faz a seguinte  descrição de S. Miguel: “História à parte, o viajante que hoje visita os Açores encontra uma terra de carácter vulcânico, de costas rochosas, ásperas, escabrosas e escarpadas, contra as quais as ondas do oceano batem ás vezes com fúria terrível. A sua gente ainda se apega tenazmente a costumes fossilizados e acha-se profundamente sepultada num passado morto, do qual não tem poder, nem grande desejo de se libertar. As belezas naturais, a liberalidade e a liberdade estão em vivo contraste com a pobreza, a degradação e a opressão das massas; todavia o canto e a dança, as procissões religiosas e os dias de festa deleitam o camponês jovial e de coração simples; a vida é um círculo de preguiça, de sestas, de conversas intermináveis. É uma terra atravessada e cortada em todas as direcções por gigantescas ravinas, marcas e cicatrizes de muitos abalos de terra; e todavia ostenta luxuriante vegetação tropical. Os campos estão verdes durante todo o ano; a laranja, a banana, o figo, a goiaba e outras frutas tropicais crescem com abundância; as vertentes dos montes e dos vales reproduzem, em eco, as notas suaves de miríades de cantores e o ar está impregnado da fragrância das flores. É um país onde as tintas da terra e as cores do céu ainda que de vário colorido, rivalizam em beleza”.

 

São Miguel - Casa rural em Feteiras

Traje típico de São Miguel

Capote açoreano

Caldeira das Furnas - Ilha de São Miguel

Do inglês W. R. Kettle, possuimos a curiosa visão de Ponta Delgada, publicada no jornal The Field em Londres, em 1887: “Ponta Delgada, a cidade e porto principal de S. Miguel, e terceira em importância de Portugal, jaz no lado sudoeste da ilha. O seu porto é defendido por um sólido quebra-mar, agora quase completo. Os navios, mesmo os grandes em dimensão, tem aqui seguro abrigo contra os ventos, e os que demandam o porto com avaria, para refrescar ou tomar carvão, são isentos de todo e qualquer direito. Não experimentei dificuldades na alfândega com a minha bagagem, e um companheiro de viagem, com um grande fornecimento de aparelhos e drogas (sic) fotográficas, teve mui pouco incómodo com os delicados empregados portugueses, tendo sómente a pagar uma pequena quantia por volume. Vista do mar, a cidade é muito formosa, com os seus campanários, casas caiadas de branco, tendo por fundo os jardins e quintas de laranjeiras, com picos e outeiros cultivados no último plano. Ao desembarcar não há motivos de desilusões. Os edificios são sólidamente construidos de pedra vulcânica, ainda que poucos haja, de real beleza, como espécimen de arquitectura. As ruas sofrivelmente largas e limpas, calçadas com blocos de lava, são alumiadas a gás e petróleo. Entre as várias modas, a mais notável é o enorme capote e capelo que muitas mulheres usam envolvendo-as inteiramente, com uma originalidade rídicula”.

 

Largo da Matriz - Ponta Delgada - Década de 1890

Ponta Delgada - Igreja Matriz - Década de 1890

Ponta Delgada - Largo da Matriz - 1896

Ponta Delgada - Portas da cidade - Década de 1890

Ilha de São Miguel - Cidade de Ponta Delgada

 

 


 

2 responses so far

Jan 03 2011

120 Anos do Pintor Domingos Rebêlo

Published by under Informação

Neste ano de 2011, comemoram-se os 120 anos do nascimento do pintor Domingos Rebêlo, que se fosse vivo, estaria no dia 3 de Dezembro a celebrar esta data.
Quem não o esquece, irá recordá-lo. Este site compromete-se a dar continuidade à divulgação da sua vida e obra, para que as novas gerações tenham oportunidade de conhecer alguém que deixou um exemplo de vida e um registo artístico tão importante, que honram e enobrecem a sua ilha natal, São Miguel , e o seu país, Portugal.

No responses yet

Dez 03 2010

Obra de Domingos Rebêlo: O Jardim das Senhoras Berquó

Published by under Obra

Em Ponta Delgada, paredes meias com o Jardim José do Canto, encontra-se um solar, mandado construir no século XVIII por um prussiano chamado Scholtz. Este solar possuía outrora um belo jardim, repleto de variadas espécies de plantas, e ornamentado por um pórtico de sete arcos. Em 1923, o pintor Domingos Rebêlo retratou as três Senhoras Berquó, que então habitavam o solar, no seu magnífico jardim. Estas senhoras, cujos nomes seriam Jerónima, Tomásia e Filomena, eram da família da primeira esposa do pintor, Maria do Carmo Berquó de Aguiar, entretanto falecida, de tuberculose, sete anos antes desta pintura. O quadro fixa um momento e espaço únicos, na história de Ponta Delgada, e ao mesmo tempo faz uma ligação ao passado, ao representar as figuras humanas vestidas à moda do século XIX, numa pintura que é toda ela envolvida em tons românticos, plena de poesia. Há algo de irreal neste quadro, fantasioso até, na maneira como a Natureza simbolizada pelo jardim é tratada. Toda a sua força avassaladora como que invadindo o quadro, em crescendo, como uma vaga, preparando-se para se apoderar das personagens humanas, e simultaneamente amenizada pelos tons suaves e quentes do entardecer, hora a que o quadro foi pintado. O pintor tira proveito da liberdade artística, para compor a tela como se de uma peça teatral se tratasse. De onde vem estas senhoras? De que falam? Porque é que na terceira década do século XX, vestem roupas do século anterior? Será que se preparam para ir a uma festa de fantasia? Este tratamento romântico, quase idealizado, é único em toda a obra de Domingos Rebêlo. Daí a singularidade desta pintura. Hoje em dia, o antigo solar, conhecido originalmente como Solar Scholtz e mais tarde Solar das Berquós, já não é habitado. Existe um projecto de restauro e recuperação com a traça arquitectónica original do edíficio. Mas aquele jardim desapareceu, dele e das senhoras Berquó, fica a memória fixada na magnífica e intemporal pintura de Domingos Rebêlo.

Domingos Rebêlo.O Jardim das Senhoras Berquó.Óleo sobre tela, de 1923 (colecção particular)

Domingos Rebêlo.Jardim das Senhoras Berquó.Pormenor 1

Domingos Rebêlo.Jardim das Senhoras Berquó.Pormenor 2

Domingos Rebêlo.Jardim das Senhoras Berquó.Pormenor 3

Domingos Rebêlo.Jardim das Senhoras Berquó.Pormenor 4

Domingos Rebêlo.Estudo para O Jardim das Senhoras Berquó.Lápis sobre papel,1923.(colecção particular)

Jardim do Solar das Berquó-Ponta Delgada. Foto início séc XX, a partir do Solar (colecção particular)

Solar Scholtz / Solar das Berquó - Ponta Delgada, Abril 2009- Foto Jorge Rebêlo

3 responses so far

Jan 19 2010

Biografia de Domingos Rebêlo (1891-1975):Nascido sob o signo da Esperança

Published by under Biografia

Domingos Maria Xavier Rebêlo, terceiro filho de José Eduardo Rodrigues Rebello, sargento da Guarda-Fiscal da Alfândega de Ponta Delgada, e de Georgiana Augusta Pereira Rebello, doméstica, nasceu na cidade de Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores, às doze horas da noite, no dia 3 de Dezembro de 1891 (dia de S. Francisco Xavier). O nascimento ocorreu na casa onde morava a família (e não numa Maternidade), na Rua da Esperança (actual Rua Dr. Gil Mont´Alverne Sequeira), ao lado do Campo de São Francisco. Dois factos curiosos merecem relevo. O local de seu nascimento distava poucos metros do banco, onde a 11 de Setembro de 1891, Antero de Quental com dois tiros tinha posto fim à vida, no Campo de São Francisco, por baixo de uma âncora com os dizeres Esperança. Se para Antero este local significava o fim da sua esperança, sem outra âncora que o segurasse à Vida, menos de três meses depois, para a família Rebêlo, o pequeno Domingos era uma nova esperança que nascia. E de forma profética a praça próxima de onde nasceu, possuía o nome do santo que lhe serviu de inspiração, e que tentou imitar toda a vida, Francisco de Assis. No mesmo Campo de São Francisco seria baptizado, a vinte de Dezembro, na Igreja de São José, o seu primeiro ingresso na instituição católica, que tão forte marca moldaria a sua mentalidade. A família Rebêlo, de escassos recursos económicos, incutiu desde cedo no pequeno Domingos, dois valores fundamentais, a importância do meio familiar, e a formação religiosa no catolicismo romano.

Ver Fotos

Rua da Esperança

Rua da Esperança - Ponta Delgada

Domingos Rebêlo com 10 meses em Outubro de 1892

Domingos Rebêlo com 10 meses em Outubro de 1892

Domingos Rebêlo.José Eduardo e Georgiana Rebêlo.1929

Domingos Rebêlo.José Eduardo e Georgiana Rebêlo. Óleo sobre tela, de 1929.(colecção particular)

Campo de S. Francisco

Campo de S. Francisco - Ponta Delgada

Campo de S. Francisco

Banco onde Antero de Quental se suicidou.Campo de S. Francisco,Ponta Delgada,2009-Foto Jorge Rebêlo

Antero Tarquinio de Quental (18 Abril 1842 - 11 Setembro 1891)

Antero Tarquinio de Quental (18 Abril 1842 - 11 Setembro 1891)

Igreja de S.José, onde foi baptizado Domingos Rebêlo. Ponta Delgada 2009.Foto Jorge Rebêlo

5 responses so far

Jan 07 2010

Missa pelos 35 anos do Falecimento do Pintor Domingos Rebêlo

Published by under Informação

Na Comemoração dos 35 anos do falecimento do pintor Domingos Rebêlo, vai realizar-se uma missa em sua homenagem, a pedido da Família Rebêlo, na Igreja  de S.João de Deus, em Lisboa – cujos frescos o artista pintou em 1952.

Será na próxima segunda-feira, dia 11 de Janeiro de 2010, pelas 19 horas.

A Família agradece a todos aqueles que se dignarem estar presentes, nesta cerimónia evocativa do artista.

Frescos do altar na Igreja de S. João de Deus

Altar na Igreja de S. João de Deus.Frescos de Domingos Rebêlo, de 1952. Lisboa 2010.Foto Jorge Rebêlo

Fachada da Igreja de S. João de Deus em Lisboa

Fachada da Igreja de S. João de Deus em Lisboa, 2010.Foto Jorge Rebêlo

 

3 responses so far

Jan 06 2010

Apresentação

Published by under Informação

Ao visitante deste site,

Viva!

Este site, coordenado por um neto de Domingos Rebêlo, pretende resgatar a memória da Vida e Obra deste pintor, originário da Ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores.

Domingos Rebêlo merece ser lembrado por toda a  vasta e diversa obra que realizou. Nela pretendeu expressar a identidade portuguesa,  estilos de vida, atitudes, e crenças. Pintou habitantes de São Miguel, mas também de todo o Portugal, insular e continental, do Norte, Centro e Sul.

Homens , Mulheres, crianças, jovens e idosos, são constantemente retratados, e o seu interior, a sua alma, são revelados pela mão do artista. Rebêlo  coloca-os no ambiente que os rodeia,  seja urbano ou natural. O seu olhar balança, ao ritmo do coração, entre os seus dois objectos de predilecção: a Natureza e o Ser Humano.

A sua obra tem um carácter humanista e universal. A Domingos Rebêlo poderia aplicar-se a frase de Liev Tolstoi : ” Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.

Como este site pretende ser dinâmico, e com um carácter de aprendizado conjunto, está aberto à participação de quem queira contribuir, para um maior conhecimento e divulgação da Vida e Obra de Domingos Rebêlo.

Jorge Rebêlo

Lisboa, 6 de Janeiro de 2010

13 responses so far

« Prev